H.U.L.D.A.

2018

Com título tirado das letras do nome de Hulda Bittencourt, o espetáculo é formatado em cinco blocos: H representa horizonte. Neste quadro, Jorge Takla explora a luta e a perseverança de Hulda em prol de realizar seus sonhos. U, de união, retrata a realização de Hulda ao criar a academia de dança Cisne Negro e as parcerias que garantiram o sucesso da instituição, como a do marido Edmundo Bittencourt e de suas filhas, Dany e Giselle. L materializa a liberdade que Hulda se permitiu para conduzir a companhia, inaugurada com muitos homens e com escolhas ecléticas de repertório. Dde dança é a pluralidade da Cisne Negro, que não favorece apenas um estilo, mas as diversas manifestações de dança que existem. O encerramento se dá com o A que simboliza o amor e devoção de Hulda pela arte.

“Hulda representa a diversidade de estilos, a força e a luta da mulher conquistadora em uma companhia de dança – que por si só já sofre preconceito em um país machista”, diz o diretor Jorge Takla. Jorge conta que começou os ensaios colhendo depoimentos dos bailarinos que fazem parte da companhia atualmente. A partir da pergunta “O que significa a Hulda para você?”, começaram a ser colecionados movimentos, sentimentos e histórias que se transformam em elementos cênicos nas mãos dos criativos envolvidos com a obra. “É um privilégio ter uma vocação e depois realizá-la”, comenta Takla sobre o amor de Hulda à dança, a quem chama de “musa e cabeça do Cisne”.

Feliz de estar nesse momento de sua carreira, também com 40 anos de profissão, Ana Botafogo – que segue à frente da direção do balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em parceria com Cecília Kerche – continua “tentando” gradualmente deixar os palcos para se dedicar unicamente à direção cênica de dança. “No ano passado já dancei bem menos, mas estava sentindo falta dos palcos. Em H.U.L.D.A, representam as ideias da dança que fizeram e fazem parte dessa companhia”, diz Ana.

Com o entusiasmo e a vitalidade de quem faz o que gosta na vida, a homenageada, que todos chamam carinhosamente de dona Hulda, não se furta a lembrar do começo, da difícil situação econômica e da resistência da família. “Para comprar uma sapatilha minha mãe tinha de tirar o dinheiro do arroz com feijão. De repente fui parar na Escola de Dança Maria Olenewa”, fala, citando a principal incubadora de dançarinos clássicos no Brasil.

FICHA TÉCNICA

Coreografia
Dany Bittencourt e Rui Moreira

Trilha Sonora Original
André Mehmari

Figurinos
Fábio Namatame

Direção Geral, Roteiro e Concepção Cênica
Jorge Takla

Cenografia
Nicolas Boni

Design Gráfico e Comunicação Visual
Paulo Humberto

Participações Especiais
Ana Botafogo e Daniela Severian

Elenco da Cisne Negro Cia de Dança
André Santana, César Dias Cirqueira, Clarissa Braga, Edson Artur, Felipe Silva, Giovanna Perez, Isabel Lima,
Isabelle Dantas, Leonardo Silveira, Luiza Ginez, Mariana Paschoal, Murilo Nunes, Renato Lima, Willian Gásparo.

Duração
60′

Classificação Indicativa
Livre

Ano
2017